Tenho em meu pacote alguns dos mais famosos canais do mundo: Fox, Warner, TNT, Universal entre outros.
Mas, ao contrario do que prometia a TV a cabo quando chegou ao Brasil, os canais estão ficando exatamente iguais aos canais de TV aberta.
Por dois motivos:
1-os principais canais estão dublando seus filmes;
2-os canais estão editando os filmes.
A Fox teve a infeliz idéia de dublar suas séries e filmes. Isso é horrível. A Warner, que começou a passar filmes com som original, agora só passa filmes dublados. A TNT eu prefiro nem comentar.
Agora editar os filmes é a coisa mais hipócrita do mundo.
Esses dias estava vendo Patch Adams na Warner. Na ultima cena, quando Patch vai receber o diploma de médico, ele mostra a bunda para os professores. A Warner cortou essa cena.
A TNT gosta de cortar cenas de sexo. Se por acaso for impossível cortar uma cena onde uma mulher aparece com os seios de fora, por exemplo, a solução é desfoca-los.
Vendo essas atitudes, eu só tenho a concordar com o filosofo Roger:
Fiquei revoltada com o que li no jornal 2 dias atrás: Polícia suíça prende Roman Polanski. Pra quem não sabe a história, o fantático diretor de cinema polonês foi acusado de "estuprar" uma menina de 13 anos na década de 70, na propriedade do ator Jack Nicholson, nos EUA. Estuprar entre aspas mesmo, pois sexo com menores é delito nos Estados Unidos, por mais a pessoa em questão tenha consentido, que foi o caso de Polanski. Ele nunca foi julgado, pois saiu do país e desde então mora em exílio na Suíça. Pois bem, eis que o diretor, indo receber um prêmio no festival de cinema em Zurique esta semana, foi detido no aeroporto pela polícia suíça e levado para a cadeia, e ali permanece desde sábado esperando uma extradição para os EUA, onde será julgado pelo grande "crime" que cometeu. O que me faz pensar: porque raios a polícia americana e suíça não utiliza todos estes esforços para pegar quem realmente merece estar na prisão?? Não é a toa que a cultura no mundo anda mal das pernas, tão mandando gente do calibre de Roman Polanski pra cadeia... Já não chega toda a tragédia pessoal de Polanski, que teve a mãe morta em Auschwitz e a mulher grávida brutalmente assassinada, ainda tem que ser acusado de estupro e mandado para a cadeia com 76 anos de idade?? Incrível... Só espero que esta palhaçada toda termine logo e que Polanski volte logo pra trás das câmeras, o mundo precisa urgente de um pouco mais da sua arte...
Não é de hoje que eu sou um NÃO fã declarado de Michael Bay.
Não somente pela grande quantidade de filmes ruins que ele já fez na sua carreira, mas sim por apenas um: TRANFORMERS.
Certa vez um amigo me disse que eu era um xiita em relação aos Transformers. E eu concordo. Gostava dos personagens originais e do jeito que se transformavam. G1 era uma trama que falava não só sobre a guerra civil Cibertroniana que chegava a Terra, mas sim de personagens fortes. Optimus Prime era um simbolo de justiça e sabedoria para muitas crianças.
Adaptações de personagens que existem em outras mídias (quadrinhos, livros, games) é cheia de perigos. Porque existem fãs xiitas como eu que não aceitam certas decisões dos diretores e roteiristas.
Vejam alguns exemplos: Peter Parker foi picado por uma aranha modificada geneticamente no filme ao invés da aranha radioativa dos filmes. Stick foi “esquecido” no filme Demolidor, mas aparece no Elektra. Certos personagens sumiram no Senhor dos Anéis.
Mas o que aconteceu em Transformers foi um crime. Primeiro porque o roteiro tem mais furos do que um queijo suíço. Mas porque os personagens são cretinos e o Autobots e Decepticons não tem nada a ver com os personagens da G1 – a primeira geração de desenhos e quadrinhos dos Transformers, que é a pedra fundamental de toda a mitologia dos robôs.
Só de pensar que Optimus Prime, o líder máximo dos Autobots, teve sua pintura “adaptada” para ter as cores da bandeira americana, já é motivo de desanimo, prefiro não comentar mais nada.
E pensar que no filme de 1986foi um clássico, sem precisar de efeitos especiais e milhões de dólares de orçamento.
Me lembro até hoje da cena quando Prime enfrenta Megatron. É talvez um dos maiores marcos para os fãs da G1.
Quando surgiu o boato que Transformers iria virar filme, fiquei muito feliz. Spielberg como produtor executivo foi motivo para eu soltar rojões na porta de casa. Mas quando foi anunciado Michael Bay como diretor, eu tive calafrios.
Bom, a partir dali, foram cenas de puro terror. Mudança nos carros que iriam servir de base aos Transformers, milhões de personagens que não se encaixavam no roteiro, milhões de dólares de cenas com explosões e todos os clichês possíveis...
Acho que não preciso dizer mais nada.
Muitas pessoas o comparam com o diretor alemão Roland Emmerich, diretor de filmes como INDEPENDENCE DAY, STARGATE, GODZILLA e O DIA DEPOIS DE AMANHÃ.
OK, ambos diretores gostam de explodir coisas. Muitas coisas. Mas os filmes de Emmerich tem roteiro, seus personagens tem profundidade. Já os da Bay, conseguem ser mais rasos que bacias. Sem contar que Emmerich é um cara simples, que começou com filmes de baixo orçamento e foi subindo. Bay é um "estudioso" do cinema. Sempre teve orçamentos altíssimos.
Mas nada disso quer dizer que seus filmes sejam bons. Pelo contrário.
Existem alguns fatos contra Michael Bay que ele nunca pudera negar:
É o diretor com um dos piores índices de popularidade do IMDB Nunca apareceu em nenhuma lista dos melhores diretores, nem quando essas listas contabilizavam 100 posições, embora ele esteja entre os poucos diretores com orçamentos maiores de 100 milhões. Existe uma petição na internet para fazê-lo parar de dirigir filmes. Nunca ganhou nenhum prêmio. Já foi indicado 4 vezes ao Framboesa de ouro, o Oscar da mediocridade.
Acho que o maior problema e o que mais me incomoda sobre os filmes de Bay é que eles batem recordes de bilheteria. Um atrás do outro. Milhões de pessoas ao redor do planeta fazem filas para ver os filmes de Bay.
Obrigado Michael Bay, por ter feito o meu sonho de criança, de ver um filme live action dos Transformers, um pesadelo.
Sem querer parecer repetitivo, mas sendo, estreou semana passada nos cinemas brasileiros o documentário 23 ANOS EM 7 SEGUNDOS.
Para quem não sabe, conta a história dos 23 anos em que o Corinthians ficou sem títulos, de 54 a 77.
Mas, além de ser um documentário dos bastidores daquela emocionante final contra a Ponte Preta, o filme conta também todo o sofrimento da nação corintiana nesse longo jejum de títulos.
Conta histórias fantásticas, com a Invasão Corintiana no Maracanã em 1976, o titulo do 4º Centenário da Cidade de São Paulo em 1954 e a paixão dessa torcida pelo time, que ao invés de diminuir por causa da falta de títulos somente aumentou.
Vale muito a pena.
Não apenas para os corintianos ou para os amantes de futebol. Mas também para os que gostam de um documentário bem feito, com entrevistas interessantes e bem editado.
Eu adoro o Michael Moore. Muita gente não gosta dele. Mas eu o adoro. Ele é um dos poucos que consegue fazer graça e ser crítico num documentário, e tudo ao mesmo tempo. Seus filmes transitam entre a informação e a manipulação, tudo com muito humor e obviamente muito bem colocado.
Revi hoje Bowling for Columbine, que fala sobre a venda de armas nos EUA e o massacre em Columbine, e Sicko, sobre os seguros de saúde americanos, que ganham dinheiro se aproveitando de pessoas doentes. Claro que Michael Moore não é santo nem bobo e sabe como ninguém criar polêmica e utiliza vários recursos para captar a atenção do espectador. Porém, tudo o que mostra ali é verdade, e acho válido um americano que critica seu próprio país, principalmente quando ataca o governo Bush e que, convenhamos, está coberto de razão em faze-lo. Melhor do que sentar no sofá de casa e reclamar de tudo sem nenhum ato concreto para mudar nada. Não que os filmes de Michael resolvam alguma coisa, mas se ele conseguir mudar o pensamento de alguns americanos já valeu. Manipulação? Claro, afinal, todo filme que utiliza recursos como trilha sonora e edição já estão manipulando a verdade. Michael manipula sim, e o faz com sabedoria. Ponto pra ele.
Lembro como se fosse ontem daquele momento. O momento em que sabia que queria fazer cinema. Deveria ter uns 12 anos. Já era rata de locadora com essa idade, mas sempre alugava uns filmes bobinhos, comédias toscas dos anos 80 e thrillers baratos. A locadora perto de casa era pequena, e as minhas possibilidades estavam se esgotando. Resolvi então, passar para a prateleira de filmes "clássicos".
Aluguei pela primeira vez o filme "E o vento levou", era uma box enorme, daquele que vinha com 3 fitas VHS juntas. Achei lindo que o filme era tão longo assim, porque só assim para eu levar pra casa aquele box gigante de fitas... Cheguei, coloquei a fita no vídeo, liguei a tv. O filme me encheu os olhos do começo ao fim. Achei linda aquela novela toda entre Vivian Leigh e Clark Gable. Até hoje dou risada quando escuto a frase "Frankly my dear, I don't give a damn", pronunciada pelo personagem de Clark Gable. Quando o filme terminou, só consegui pensar: "quero mais...", e corri de novo pra locadora. A partir daí, decidi que queria fazer filmes.
Porém, a realidade é que hoje em dia Hollywood não vive mais a época de ouro do cinema como viveu nos anos 30 e 4o, a Europa já não tem o neorealismo italiano e a belle epoque francesa, e o Brasil não tem mais o cinema novo. Eu queria fazer cinema nessa época, quando os filmes não eram somente entretenimento, mas sim um meio de se dizer o que estava errado no mundo, de criticar, de chocar com conteúdo, de inovar. Acabei me deparando com o cinema no século XXI, onde filmes são feitos somente com o intuito de vender, onde a tv acabou por "roubar" os espectadores do cinema e onde nada mais é único, especial. Continuo sonhando com aqueles filmes de 2 ou 3 VHS que via sempre nas prateleiras das locadoras...
Fazia tempo que eu não pisava em terras holandesas. Quase 12 anos... Nada mudou! A terra continua verde, os moinhos continuam funcionando, Amsterdam continua linda! Porém, ver a Holanda com 15 anos e ve-la agora, 12 anos depois, foi algo muito interessante e diferente. Primeiramente me arrependo de não ter aprendido holandês por pura preguiça, já que todos ali falam muito bem o inglês. Curti tanto Amsterdam agora que, se falasse pelo menos bem o holandês, poderia procurar algum curso por lá. Adorei também poder fazer uma comparação com o estilo de vida italiano. A Holanda culturalmente é bem mais européia que a Itália. A Itália é quente, caótica, mafiosa, deliciosamente parada no tempo. O que causa alguns problemas também. O sistema de transporte público de Roma é um horror, sempre atrasado, a saúde, por melhor que seja, é cara para quem não tem problemas sérios e também muito lenta. Isso sem contar que os italianos não falam inglês e geralmente não são muito simpáticos com o turista estrangeiro que não fala italiano... A Holanda é bem diferente. Parece que tudo funciona... Não esperei por mais de 3 minutos um tram em Amsterdam, os trens custam a metade do que custam na Italia e são bem melhores e mais rápidos. A saúde é pública e custa pouco, você é atendido na hora e quase não tem filas em lugar nenhum: bancos, correios, nem em banheiros de balada... Os holandeses falam muito bem o inglês e adoram ajudar os outros, estão sempre de bom humor, sorrindo. Meu pai holandês me disse que eles gostam da vida, e costumam tentar tirar o máximo proveito dela. Amsterdam, mesmo sendo a capital, parece uma cidade de interior, com as conveniências de uma cidade grande. Lá, além de batatinhas com maionese e stroopwafels, existe uma variedade imensa de restaurantes de todo o mundo, lindas docerias e até mesmo fast foods americanos além de McDonalds, como KFC e Starbucks. Tem de tudo, pra todo gosto. Por ser a cidade liberal, onde a maconha é liberada e a prostituição legal, tudo é respeitado. Não que se possa fazer o que quiser, mas os holandeses tem mesmo uma cabeça bem mais aberta em relação a tudo por conta desta política tão flexível. Imigrantes não são discriminados nem perseguidos como na Itália, muito pelo contrário, os holandeses gostam das diferenças e se interessam em saber de onde você vem, e o que aprendeu no país deles. As casas tem grandes janelas na fachada principal, que são verdadeiras vitrines dentro das casas, onde todos podem ver e serem vistos. Na Itália não funcionaria, pois todos tem medo de mostrar o que são e o que possuem, com medo de serem roubados. Na Holanda, este medo não existe, e as janelas na frente das casas são um modo dos holandeses não se isolarem do mundo. Ótima filosofia de vida... Continuarei num próximo post. Tot Ziens!
Este blog nasce de uma tentativa de intercâmbio cultural entre cineastas no Brasil e na Itália. Sempre focando no que sabemos fazer com maestria: falar de cinema!! Claro, com uma pitada de outras cositas também...
História do Cinema em 20 Títulos
Dogville - Lars Von Trier (2003)
Requiem para um Sonho - D. Aronofsky (2000)
Pulp Fiction - Tarantino (1994)
O cozinheiro, o ladrão, sua mulher e seu amante - P. Greenaway (1989)